Paisagem e Literatura: Cartografias do Espaço e da Memória

 Ao longo dos séculos, da poesia à prosa, a literatura sempre manteve uma relação fecunda com a paisagem envolvente, como tema múltiplo, em articulação com várias áreas do conhecimento humano (das Artes, da Literatura e da Cultura, à Filosofia, História, Sociologia, Geografia e Psicologia). Desde o bucolismo de Diogo Bernardes e de F. Sá de Miranda, aos cenários ficcionais de Camilo Castelo Branco e de Agustina Bessa-Luís, encontramos diferentes concepções e funcionalidades atribuídas ao espaço e à paisagem literária. Além disso, as representações da paisagem vão sendo impregnadas por uma memória cultural e literária, que assim configura cartografias múltiplas, assumidamente subjectivas e intertextuais. Também se lê a paisagem através de outros textos que integram a tradição e o imaginário colectivos.

A paisagem é espaço habitado e/ou vivido; ao nível dos espaços íntimos e domésticos, é cenário dominado por imagens arquetípicas – poética do espaço (G. Bachelard); é visualidade e percepção de um sujeito (M. Merleau-Ponty), experiência e subjetividade, modo de ver e elaboração artística (construção). No âmbito desta relação Literatura e Paisagem, ao nível dos estudos literários mais recentes, estabelecem-se várias perspectivas e diálogos em torno da questão axial – como se escreve a paisagem e por quê? Como tentativa de alargar horizontes, sucedem-se as propostas que abordam tópicos tão diversos como os da “invenção da paisagem” (Anne Cauquelin); modos de ver a paisagem (John Berger); do “pensamento-paisagem” a uma “poética da geografia literária” (Michel Collot); mapeamento geográfico-ficcional urbano (Franco Moretti).

  Nesta perspectiva, a região Norte de Portugal constituiu-se como paisagem privilegiada da escrita de vários autores, materializando-se em temas e visões plurais do espaço físico e afectivo, modos de representação e de inscrição: descrição e topografia; génio do lugar (genius loci); tópica literária (locus horrendus e locus amoenus); imagética da natureza; paisagem e estado de alma; refúgio, condição de exílio e visão disfórica; errância e apelo; exotismo e evasão espacial; horizonte físico e afectivo; imagens espaciais e cronótopo; viagem e imaginário turístico; peregrinações e espaços sagrados; oposição campo/cidade ou natureza/civilização; realismo e imaginação; (anti)determinismo geográfico; regionalismo literário; preocupações ambientais; narrativa de espaço; poética do lugar.

 

Organização

Grupo de Investigação Memória e Diálogos Literários do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos (CEFH) da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais – UCP, Braga.

 

Comissão Organizadora

Ana Paula Pinto

António Maria Martins Melo

João Amadeu Silva

José Cândido Martins

Maria José Lopes

 

Conferencistas convidados

Ida Alves, Universidade Federal Fluminense – Brasil

Elias J. Torres Feijó, Universidade Santiago de Compostela – Espanha

Cristina de Sousa Pimentel, Universidade de Lisboa – Portugal

 

Comissão Científica

Cármen Isabel Leal Soares, Universidade de Coimbra

Cristina de Sousa Pimentel, Universidade de Lisboa

Elias J. Torres Feijó, Universidade de Salamanca

Eunice Silva Ribeiro, Universidade do Minho

Ida Alves, Universidade Federal Fluminense

Pedro Serra, Universidade de Salamanca

Ramiro González Delgado, Universidad de Extremadura

 

Pedido de comunicações

Cada comunicação terá a duração máxima de 20 minutos. As propostas, sujeitas a avaliação pela Comissão Científica, devem incluir os seguintes elementos e ser enviadas para Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.:

  . título completo

  . resumo (até 250 palavras)

  . área temática

  . nome do autor

  . afiliação institucional

  . email

. CV abreviado (até 100 palavras)

Data limite para envio de propostas: 15 de Janeiro de 2017

Resultados da avaliação: 31 de Janeiro de 2017

Data limite da inscrição: 3 de Março de 2017

Valor da inscrição: 50.00 €

Publicação das comunicações: os textos definitivos, acompanhados de um pequeno resumo em inglês e das palavras-chave, não poderão exceder as 5000 palavras e devem ser entregues até ao dia 31 de Março de 2017, para avaliação pela Comissão Científica. Os textos aprovados serão publicados na Revista Portuguesa de Humanidades, volume de 2017.

 

Contactos

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